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A minha reserva de emergência

Dicas práticas para organizar seu orçamento mensalmente.

por Camila Mello


Sou uma pessoa otimista, sempre acho que o pior não vai acontecer. Impossível pagar o boleto do seguro saúde ou contratar um seguro para o carro alugado sem pensar que meu dinheiro está indo para o lixo. E mesmo assim, lá estão os boletos pagos. Todos os meses.


Meu pai também sempre foi muito otimista e muito sonhador. Também nunca achava que as coisas iam dar errado. E muitas vezes elas deram. Ele foi se complicando financeiramente durante a vida, sempre sem ter um plano B. E eu, criança, acompanhava nosso padrão de vida diminuindo, sem ter muito como ajudar.


Quando cresci e comecei a trabalhar, nunca achava que seria demitida ou que sofreria algum acidente que me impediria de trabalhar. Ainda assim, pensava em como seria viver sem nenhuma reserva e já sentia calafrios.


Quando comecei a ganhar um pouco mais, debutei na previdência privada. Pensei que seria mais fácil juntar dinheiro se tivesse a obrigação de um boleto todos os meses. De fato o boleto causava uma pressão psicológica, mas, apesar de conseguir juntar algum dinheiro por mês, ele tinha um rendimento muito baixo e eu ficava presa naquele investimento.


Um belo dia, depois de alguns imprevistos, precisei resgatar um pouco daquele dinheiro reservado para emergências. A previdência não é feita para ser movimentada com frequência, então além de perder todo rendimento acumulado durante aquele tempo, ainda tive um trabalhão para sacar o saldo.


Desde então, entendi que eu precisaria mudar a minha estratégia. Calculei uma reserva de 3 meses, baseado nos meus gastos de um mês multiplicados por três, e fui me organizando para guardar um pouco mensalmente até atingir esse montante. Também optei por guardar o dinheiro em investimentos que eu poderia acessar quando quisesse, sem comprometer a renda.


Se você ainda não sabe como calcular o seu orçamento mensal, aprenda aqui.


Claro que em alguns meses eu não conseguia guardar nada, já em outros conseguia guardar um pouco mais para compensar. A disciplina de guardar um pouco todos os meses surge aos poucos. Guardar, mesmo que 10 reais, já é uma vitória.


Até hoje continuo compondo minha reserva de emergência porque vira e mexe preciso retirar um pouco do dinheiro para cobrir alguma despesa, mas, como já estou próximo da minha meta, consigo ter mais tranquilidade caso algum grande imprevisto surja.





Camila Mello tem 32 anos, é paulistana e mãe do Francisco. Graduada em Publicidade e Pós-Graduada em História da Arte pela FAAP, trabalhou muitos anos no mercado publicitário até migrar para o terceiro setor, onde trabalhou no MASP. Já morou em Londres e Berlin, mas gosta mesmo é do Brasil. Um de seus passatempos favoritos é ajudar os amigos com as finanças pessoais.

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