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Finanças pessoais: fazendo as pazes com o cartão de crédito

por Camila Mello


Conheço muitas pessoas que dizem ter solucionado as dívidas parando de usar o cartão de crédito e pagando tudo no débito. Culpando o cartão por incentivar delírios aquisitivos e, por consequência, endividamentos. Eu, inclusive, já fui uma delas.

Qualquer valor dividido por 10, fica muito mais possível. Aquela bolsa de valor impagável à vista, quando dividido por 12 já cria uma esperança. O problema é que depois de um ano ainda ver aquela maldita bolsa caindo no cartão. Você já nem sabe mais onde ela está, mas ainda está pagando por ela.

Pior é quando além da bolsa, cai a parcela do sapato, do vestido, da massagem modeladora. Tudo junto. Virando uma bola de neve porque, além das compras, chegam também as contas do mês. É nesse momento que vem aquela tentação de pagar o mínimo do cartão e empurrar pro mês seguinte a solução do problema. Junto com as outras parcelas e outras contas do mês seguinte.

Ao contrário do que você deve estar imaginando, minha proposta não é picotar o cartão de crédito, largar essa tentação, viver só no débito. Minha proposta hoje é fazermos as pazes com o cartão de crédito e podermos usar o que ele tem de melhor: tempo.

O que o cartão de crédito tem de mais incrível não é dar o fôlego enquanto você junta dinheiro para pagar a fatura. Ele te dá mais tempo para que o dinheiro, que você já tem, renda em algum investimento antes de pagar a fatura. Parece uma conversa utópica, né?

A estratégia seria tratar o cartão de crédito como um cartão de débito. Isto é, descontar das suas planilhas - aquelas que eu sei que você já criou e anota todos os gastos semanalmente - toda vez que você gasta. Independente se o gasto for no débito, crédito ou dinheiro, aquele montante será descontado do valor alocado para aquela categoria.

Ou seja, neste mês você olhou suas contas e definiu que teria 100 reais para gastar com cabeleireiro. Quando você pagou 50 reais por uma hidratação do crédito, você vai atualizar essa coluna e deixar apenas 50 reais disponíveis. Fim da data ideal de compra.

Então, quando a fatura chegar, esse dinheiro estará esperando para cumprir o seu papel que é pagar a conta. E você, sorrindo, vai pagar 100% dessa fatura, sem se preocupar em não ter dinheiro suficiente.

Enquanto esse dinheiro espera sentado para cumprir seu destino, ele vai rendendo um pouquinho. Porque não somos obrigadas.





Camila Mello tem 32 anos, é paulistana e mãe do Francisco. Graduada em Publicidade e Pós-Graduada em História da Arte pela FAAP, trabalhou muitos anos no mercado publicitário até migrar para o terceiro setor, onde trabalhou no MASP. Já morou em Londres e Berlin, mas gosta mesmo é do Brasil. Um de seus passatempos favoritos é ajudar os amigos com as finanças pessoais.

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