Débora Gomes

Débora Gomes

“Desde que minha mãe adoeceu, eu assumi o papel de mãe e responsável em casa. Busco emprego com a esperança de oferecer dignidade para a minha família”


Débora Gomes, 32 anos, Araraquara, São Paulo.


Nunca imaginei viver a situação que me encontro hoje: desempregada, revezando com a minha irmã os cuidados da nossa mãe que, após uma cirurgia, sofreu um ataque cardíaco e está numa situação semivegetativa. Justo a minha mãe que sempre foi tão ativa e batalhou sozinha para criar os filhos. Justo eu que sempre trabalhei muito, em mais de 13 anos de experiência na área de vendas e comércio, sem emprego.


Desde que minha mãe adoeceu, em 2018, saí de São Paulo e voltei para Araraquara para ajudar nos cuidados que ela tanto precisa. É uma rotina puxada de cuidar da casa, da minha mãe, fazer cursos online e procurar emprego. Nesse tempo todo, eu consegui trabalhar no comércio local por seis meses, como gerente comercial, cuidando de duas lojas. O mercado daqui é bem restrito, com poucas oportunidades, lojas pequenas, gestão familiar. Muitas delas têm o dono ou alguém da família no cargo de gerente e oferecem salário bem abaixo do mercado.


Comecei a trabalhar em 2007, passei por vários shoppings grandes e lojas de marcas importantes em São Paulo, fui de vendedora à cargo de Gerente de Loja. Sempre me dediquei e aprendi muito em cada experiência, cargo e treinamento. Fiz uma faculdade de Gestão em Marketing para justamente aumentar meu conhecimento na área de vendas.

Já cuidei de uma equipe de 33 pessoas, já ajudei a gerenciar e estruturar uma nova loja, já fiz muita coisa bacana que me orgulho.


Atualmente me sinto inútil por não estar trabalhando e não ajudar nas necessidades financeiras aqui de casa. Está cada vez mais difícil ver o tempo passar e ter a minha carreira estagnada. Mas desistir não é uma escolha. Minha mãe me criou os filhos para nunca desistirem! Vendemos carro, rifas, objetos pessoais, fizemos feirões com as roupas da loja da minha mãe e hoje dependemos da aposentadoria por invalidez que ela recebe, além das doações e ajudas de familiares e amigos.


Me tornei mãe da minha mãe e da minha irmã e na minha posição de ‘mãe’ não posso pensar em desistir. Tudo o que passamos é o que me dá força para ser uma pessoa melhor e para dar o melhor pra elas e pra mim. Preciso de um emprego que valorize minhas experiências. Busco uma oportunidade como Gerente Comercial ou Gerente de Vendas.


Em entrevista para Lígia Scalise