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"Quero trabalhar na área de RH para ajudar a humanizar os processos seletivos. Eu enxergo as pessoas além dos números que elas carregam no currículo"

 

Hoje eu sinto que sou vista a partir de números: tenho 40 anos, 2 filhos, 10 anos de experiência na área financeira, 2 anos de formada na carreira de Gestão de Recursos Humanos, mas zero experiência na área que estudei e tanto quero trabalhar. O problema é que esses números dizem muito pouco sobre mim e sobre a profissional que eu sou e quero apresentar. 

Desempregada desde abril de 2019, tenho enfrentado batalha dupla: a busca pela recolocação de emprego e o processo de transição de carreira. Vejo que o mercado me descarta de maneira automática, já na primeira pergunta: "tem experiência na área de RH?". Eu sou honesta e digo que não trabalhei na área em que me formei. Mas tenho muitos outros pontos que podem contar ao meu favor! 

Comecei a trabalhar desde cedo, aos 14 anos, ajudando no restaurante de uma vizinha da minha rua. Depois trabalhei em papelaria, banca de jornal, até conquistar meu primeiro registro como recepcionista em um escritório de importação. Ao longo dos anos as oportunidades foram aparecendo e acabei construindo a minha carreira nas áreas administrativa e financeira. Meu último cargo foi como assistente financeiro. Já são mais de 10 anos de experiência na minha bagagem.

Sempre fiz meu trabalho bem certinho. Sempre me dediquei para oferecer o meu melhor. Sempre fui muito grata às oportunidades que tive, mesmo não me sentindo pessoalmente realizada nelas. A verdade é que nunca encontrei paixão por trabalhar com números. O que eu gosto mesmo é de lidar com pessoas. Essa certeza ficou ainda mais forte em 2017, quando voltei para a faculdade. Alguns bons anos atrás tive que interromper meus estudos por falta de condições financeiras, mas, aos 38 anos, com muito orgulho, conquistei meu diploma.

Tenho muito orgulho de enfrentar uma sala de aula com essa idade. Mas acredito que esse ponto também me prejudicou na hora de conseguir um estágio. Lembro que os recrutadores insistiam em questionar: "À essa altura da sua vida, você tem certeza que quer largar o seu emprego fixo na área financeira para ingressar em um estágio?". E por mais que eu dissesse "Sim", nunca consegui uma só chance. 

E desde o momento que fiquei desempregada, botei na cabeça que chegou a hora de apostar na minha transição de carreira! É difícil, eu sei, estou sentindo isso na pele, no financeiro e no emocional. Já perdi as contas de quantos currículos mandei, acredito que mais de 200, e até agora só tive retornos negativos. 

Mas se existe uma qualidade que meu currículo não conta sobre mim é que eu sou uma pessoa muito positiva e de muita fé! E me agarro nisso para ter forças e acreditar que vou conseguir uma chance na área que tanto desejo! E estou fazendo minha parte, viu? Faço cursos online, participo de workshop, capricho nos contatos. Sei que vou encarar muitos desafios, recomeçar de baixo, mas isso não me preocupa! Eu estou mesmo disposta a aprender tudo sobre RH. 

Fico idealizando meu próximo trabalho e já me vejo na área de Recrutamento, Seleção e Treinamento de pessoas. E justamente pela experiência difícil que eu estou passando, posso garantir que, quando estiver do lado de lá, eu vou ter um olhar diferente e enxergar as pessoas com mais empatia e valor. Também acredito que minha missão vai ser mostrar para as empresas que, quando ela investe no colaborador, ela ganha muito com isso também! Só de me imaginar trabalhando nessa vaga, já sinto um prazer e uma alegria enorme. Isso só pode ser sinal de que estou no caminho certo!

Em entrevista para Ligia Scalise