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Me chamo Maria Izabel, tenho 34 anos e sou mãe do Felipe. Sempre fui apaixonada pela natureza e causas ambientais, por isso a minha área de atuação profissional é meio ambiente. Sou natural de Salvador e aos 21 anos eu saí da minha cidade deixando amigos, familiares e faculdade para arriscar a possibilidade de chegar até a floresta amazônica. Saí de um jeito um tanto quanto inusitado, de navio trabalhando como marinheira voluntária, sem garantias. 

Eu estava escalada para trabalhar até Recife, mas meu sonho era chegar até a Amazônia. 

Trabalhei duro e consegui, o convite se estendeu passando por Fortaleza, Belém, Santarém e Manaus. Entrei na floresta pela foz do rio Amazonas e ali vivi um dos momentos mais marcantes da minha vida, foi indescritível. 

 

O trabalho voluntário terminava em Manaus, mas também fui convidada a continuar a viagem até o Caribe. Não quis, eu estava onde queria, na Amazônia! Chegando a Manaus ao passar algumas semanas, decidi que não voltaria mais para casa. A notícia foi um choque para todos, para os amigos que fiz no navio e principalmente para família. À época, minha mãe impôs duas condições: primeiro teria que me sustentar sozinha e segundo continuar meus estudos no curso de engenharia ambiental. Depois disso, ninguém acreditou que eu ficaria. Fui chamada de louca. Lembro-me de ter pensado que aquela era a minha oportunidade de arriscar, era tudo ou nada! E, caso não desse certo, o máximo que aconteceria era voltar para casa, mas tinha que dar certo. Era o meu desafio... e deu certo!

 

Assim iniciava um novo capítulo da história da minha vida... Nesse período, participei de um projeto incrível e ao mesmo tempo triste no estado do Pará. A realidade das comunidades rurais amazônicas que sofriam (e sofrem) com o impacto do desmatamento e o avanço das commodities agrícolas era (e é muito) difícil. Havia relato de comunidades desaparecidas, casas queimadas, água contaminada, animais com pêlo caindo e mulheres com abortos espontâneos. Tudo isso por causa das extensas áreas de monocultura e o uso massivo de agrotóxicos. 

 

Viver a vida rural na Amazônia, os seus problemas, ver e ouvir o sofrimento das comunidades e presenciar inúmeras injustiças foi um choque para mim. Amadureci muito e tudo isso só aumentou a vontade de lutar e fazer deste mundo um lugar melhor e mais justo para viver. 

 

Após 3 anos morando em Manaus mudei para Brasília e lá iniciei um mestrado. Eu quis na minha pesquisa avaliar a influência da agricultura e desmatamento na qualidade de água e sedimentos. A área de estudo foi o pedacinho mais próximo da Amazônia, um afluente do rio Xingu no Mato Grosso. O contexto dessa região era bem semelhante ao que eu havia trabalhado no Pará, inclusive com os mesmos tipos de relatos. Infelizmente, através do meu estudo não consegui comprovar nada, embora soubesse que havia algo errado. Eu fiquei triste e me senti impotente. Após 1 ano e 5 meses, prestes a finalizar o mestrado eu descobri que estava grávida. Foi um susto! Não estava planejada. Foi árduo obter o título de mestre com um bebê no colo, mas eu também consegui!!!! 

 

Após essa fase decidi curtir a maternidade de forma mais tranquila e não procurei emprego até meu filho completar um ano. Em meados de 2013, recomecei a reorganizar a vida profissional. Participei de entrevistas, processos seletivos, até que meu marido recebeu uma proposta de trabalho para morar em São Paulo, sua terra natal. Em 2014 mudamos de Brasília para São Paulo com boas perspectivas de trabalho para mim também, porém, não podíamos imaginar que o nosso filho não se adaptaria. Aos dois anos Felipe tinha crises alérgicas a cada 15 dias que não o deixavam dormir, nem a mim. Foram longos 2 anos e 7 meses entre dias entre consultas, exames até o primeiro diagnóstico: o caso era cirúrgico. Recusei fazer a cirurgia, primeiro porque não era garantida a melhora integral dele e depois ele sempre fora saudável fora de São Paulo. Pedi 6 meses ao médico para buscar tratamentos alternativos. Fiz o tratamento homeopático e após 6 meses ele estava curado. Foi um dia muito feliz.... 

 

No segundo semestre de 2016, quando finalmente meu filho já estava melhor e sem crises constantes,  voltei a olhar para minha vida profissional. Iniciei uma especialização em Agricultura Natural porque depois de vivenciar tanta coisa ruim no meio rural queria fazer algo para ajudar a solucionar alguns dos problemas do campo. Em abril deste ano eu concluí o curso abordando o tema sobre as sementes orgânicas e crioulas. 

Embora a maternidade tenha sido um peso na minha vida profissional nos últimos anos, ela contribuiu para ampliar a perspectivas da resolução positiva. Assim, cada vez mais a idéia de ajudar a florescer o desenvolvimento e fortalecimento de negócios sustentáveis de impacto social, valorizando a sociobiodiversidade, a multifuncionalidade nos territórios agrícolas e construindo cadeias produtivas sustentáveis (seja de alimentos ou produtos), faz diariamente parte do meu desejo de atuar nessa área. Hoje busco trabalhar em empresas/instituições/Ongs que contemplem esse olhar integrativo e o forte compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social. 

 

Ao procurar por vagas de recolocação percebi o quanto é difícil me encaixar “cargos” justamente por ter uma formação profissional eclética. Mas hoje descobri também que é esse misto de vivência entre os diferentes estados e contextos das regiões brasileiras, em conjunto com os meus valores, que tornaram o que sou e evidenciou aquilo o qual quero trabalhar.