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"Quero ensinar para os meus alunos que ser feliz e acreditar nos nossos sonhos é tão importante quanto estudar matemática e geografia"

Priscila Pessoa, 31 anos, Santo André, SP.

Cresci numa casa em que o dinheiro sempre foi contadinho. Minha mãe criou a mim e a minha irmã, sozinha, fazendo faxina e passando roupa. A gente recebia dela o básico no prato e a pressão para trabalhar. "Eu só quero que vocês terminem o ensino fundamental e consigam um bom emprego", ela dizia. Hoje eu entendo que as experiências da minha mãe a fizeram enxergar o trabalho como prioridade. Eu sonhava em estudar uma faculdade de Pedagogia, mas, não tinha dinheiro e apoio pra isso.

 

Comecei a trabalhar aos 12 anos, em empregos informais como babá e vendedora. Aos 16, em 2004, quando terminei o ensino fundamental, mergulhei no trabalho. Consegui um emprego em uma empresa de administração, primeiro como office girl, depois recepcionista, até assumir e ficar bastante tempo como auxiliar administrativa. Entre idas e vindas eu passei 8 anos nesse mesmo emprego. Ganhei muita experiência, mas também a certeza de que trabalhava pra pagar as contas. Não tinha prazer ou satisfação profissional. Achava que essa era a única opção.

 

Mas eu estava enganada! Em 2012, um amigo me abriu os olhos ao dizer que existiam caminhos para fazer faculdade de graça. Esse papo mudou a minha cabeça! Foi como acordar aquela menina sonhadora da adolescência. Mudei o meu rumo e fui atrás de cursos. Fiz um técnico de Logística, depois outro de Administração. Assim também consegui um estágio muito bacana em uma empresa maior.

 

A esse ponto eu já tinha pegado o gosto pelos estudos, fiz a prova do ENEM e me inscrevi para bolsas no Pro Uni em 2014. "Será que eu presto vestibular para a área que eu tenho experiência ou devo tentar a carreira que sempre quis?", me perguntei. O destino meu deu uma força e eu consegui uma bolsa de 100% para o curso de Pedagogia! Foi a hora de assumir as rédeas da vida que eu quero viver.

 

Quando cheguei no penúltimo ano de faculdade, tive que arriscar o emprego e o salário fixo na área administrativa para fazer um estágio na pedagogia. Em maio de 2018, comecei meu estágio como auxiliar de inclusão em uma escola pública. Foi a melhor coisa que eu fiz! Ali pude sentir na pele como a Pedagogia é ferramenta de transformação e como eu posso ajudar a formar pessoas melhores.

 

O triste é que o estágio acabou, eu peguei meu diploma, mas estou desempregada. Estou passando por muitas dificuldades financeiras e vivo às custas do sustento da minha mãe outra vez. Está difícil, mas eu decidi manter meu foco na Pedagogia. Dessa vez eu não vou abrir mão desse sonho! Enquanto eu procuro emprego, faço um trabalho voluntário como coordenadora naquela escola que estagiei. Assim, ganho experiência e também uma ajuda de custo.

 

Confesso que estou desmotivada. É que as vagas exigem experiência mesmo para que é recém-formada. Às vezes me bate o desespero e me pergunto se deveria ter ficado na área administrativa. A resposta é clara: Não! Eu não me arrependo um só dia de ter feito essa transição de carreira. Pelo contrário, tenho orgulho de lutar pelo meu sonho.

 

Quero ser arte educadora e ensinar aos meus alunos, desde cedo, sobre a importância dos estudos, da arte, da cultura e dos sonhos. Acredito que esses ensinamentos são tão importantes para a vida quanto disciplinas obrigatórias como matemática e geografia. Eu só peço uma oportunidade para oferecer o meu melhor! Vejo a minha profissão como uma missão e acredito que a minha vaga vai chegar!

Em entrevista para Ligia Scalise