Rosa Biazon

“Aos 58 anos, tenho muita experiência para compartilhar e sonhos para conquistar! Busco uma oportunidade na área de gestão de projetos em tecnologia”


Rosa Maria Moraes Biazon, 58 anos, Bauru, SP.


"Tive em casa os melhores exemplos de honestidade e determinação que podia ter e tentei passar o mesmo para os meus filhos. Meu pai, cresceu em fazenda e sem estudos, minha mãe, abandonada pelo próprio pai, começou a trabalhar desde muito cedo. Faltou dinheiro para pagar escola particular para mim e meu irmão mais velho, mas nunca faltou o incentivo para que lutássemos pelos nossos objetivos. Hoje, aos 58 anos, quando olho para a jornada que conquistei, vejo que estou honrando o que aprendi desde menina.


Meu sonho era ser uma programadora de sistemas. Decidi por essa carreira por querer seguir os passos do meu irmão. Com o passar do tempo descobri que também tenho talento nessa área. Mas chegar até esse cargo não foi fácil, ainda mais por ser uma mulher. A área de tecnologia, principalmente na minha época e, em cidade do interior, ainda era bem restrita.


Minha primeira conquista foi conseguir uma bolsa de estudos para um colégio técnico. Eu planejava entrar na faculdade em seguida, mas, no finzinho do terceiro ano do colégio, engravidei. Me casei, tive meu primeiro filho e adiei o sonho da faculdade. Quando conquistei o meu primeiro emprego eu engravidei de novo. Pedi demissão. No quinto mês do meu bebê, eu e meu marido fizemos uma viagem para descansar a cabeça. Adivinha? Voltei grávida pela terceira vez, agora de uma menina. Hoje conto essa história achando graça, mas, na época, foi um choque! Não tive escolha: me tornei mãe de três e dona de casa em tempo integral.


Só que algo dentro de mim me dizia que eu poderia ser mais. Além do amor à minha família, eu queria batalhar pela minha carreira. “Onde estão os meus sonhos? E a carreira de programadora de sistemas?”, me questionava. Quando a minha caçula completou dois anos, decidi que já era hora de voltar para o trabalho e fui atrás de um antigo professor que tinha uma consultoria de TI, tecnologia da informação. A minha decepção foi do tamanho da minha expectativa: ele não podia fazer nada por mim. Aquilo me machucou demais, mas também me ensinou a enxugar as lágrimas e encarar a realidade. 


Ali mesmo, a caminho do carro, passei em frente a uma placa de vaga para ‘digitador’. Respirei fundo e pedi para fazer um teste. Até hoje não sei se digitei bem por uma força do destino ou se eles ficaram comovidos com a minha dedicação. O importante é que eu voltei para a casa empregada! Não era o emprego dos meus sonhos, mas desse ponto em diante eu nunca mais parei.


Depois de sete anos longe dos estudos, fiz vestibular para a faculdade de Análise de Sistemas e passei na segunda tentativa. Lembra do meu sonho de ser programadora? Realizei nessa mesma época. Fiz estágio e fui contratada no cargo em uma rede de supermercados. Foram conquistas bem importantes e eu digo que só consegui  porque meu marido me ajudou com a casa e com as crianças. À essa altura, minha vida parecia ótima e estável: trabalho, diploma, casamento, casa própria, filhos. Tudo em ordem, mas, como uma legítima aquariana que sou, eu comecei a sentir o desejo por novos caminhos! Fiquei com essa inquietação por dentro.


Até que a empresa em que eu trabalhava foi vendida para uma rede de supermercados portuguesa, dona de 65 lojas no estado de São Paulo, e me ofereceu uma proposta: administrar uma das lojas na minha cidade! Eu não sabia por onde começar e isso implicava em sair do meu cargo de programadora. A estabilidade financeira e o dinheiro da escola particular dos meus filhos pesaram na minha consciência. Aceitei e fui sentir na pele o que era administrar um negócio. Virei a responsável por todas as áreas, desde tecnologia, recursos humanos até financeiro. Trabalhei durante três meses de segunda a segunda. Lembro bem dos domingos, quando eu chegava em casa cansada e caia no choro. Meu marido pedia para eu desistir, mas eu enxugava as lágrimas e continuava firme no meu propósito.


Três meses depois, fui escolhida para ir até a capital de São Paulo aprender um sistema para depois treinar o pessoal do interior. O sistema é o SAP, um programa bem importante para otimizar a gestão de um negócio. Eu não sabia, mas encarar esse desafio foi o grande divisor de águas da minha carreira profissional. E foi um grande desafio, mesmo! Fui viver sozinha, longe dos meus filhos e marido, em uma cidade totalmente assustadora aos meus olhos. Passei noites chorando com saudades e com medo, muitas horas na estrada para visitar minha família aos finais de semana e senti muita pressão para provar o meu valor como profissional. Também queria voltar para a área de tecnologia e comecei a estudar fora do expediente. Fiz tudo isso para oferecer o melhor para os meus filhos, ao mesmo tempo que sofria com o remorso por estar longe deles.


Só que a vida é feita de fases e, três anos depois e já inserida na área de tecnologia, a empresa foi vendida e fui mandada embora. Foi quando eu fiz uma escolha decisiva: continuar em São Paulo e começar a trabalhar como Consultora SAP. Meu salário duplicou três vezes e tive a oportunidade de trabalhar viajando e prestando serviços para grandes empresas. Minha família já havia se acostumado de alguma forma com a minha ausência, meus filhos já estavam mais velhos, mas, mesmo assim, trabalhar e morar longe de casa sempre foi a minha grande contradição. Eu enxergava bons motivos e nunca me arrependi, mas também nunca deixei de sentir o aperto no peito por viver assim. Quando minha mãe adoeceu e eu não pude estar por perto como gostaria, por exemplo, e isso foi bem triste pra mim.


Depois de 10 anos morando longe, consegui um projeto na minha cidade e voltei! Passei sete anos muito felizes nesse projeto, de consultora eu cheguei a Gerente de TI, até que houve uma mudança de diretoria e fui substituída. Esse é o capítulo mais difícil da minha carreira. Sem emprego, eu perdi o meu chão. Demorei muito para me recuperar emocionalmente. Eu me senti traída, magoada e perdida. Dei tudo de mim para o trabalho e parecia que eu tinha sido abandonada. Levei um bom tempo até entender que a vida profissional não representa todo o meu valor e, pouco a pouco, consegui refazer meus planos. Outra decisão difícil: voltei para São Paulo para atuar em consultoria.


Vivi mais quatro anos fora de casa, só que, dessa vez, com companhia: a minha filha passou em um concurso na capital paulista e começou a morar e dividir as estradas comigo. Esse foi o meu último trabalho. Nos últimos meses tive um grande problema pessoal e, juntamente com um período difícil no trabalho e diante da pandemia, fui desligada em julho de 2020. A decepção foi grande, mas, dessa vez, me recuperei bem mais rápido! Peguei o tempo vago para buscar novos caminhos. É nesse momento em que eu estou agora.


Ocupo meu tempo fazendo cursos, estudando, conhecendo pessoas inspiradoras na internet e redescobrindo possibilidades. Buscar um novo emprego tem sido difícil, é a primeira vez que vivo o desemprego assim. Mas eu estou praticando aquela frase: “nada é por acaso!”. Aos 58 anos, com 29 anos de experiência na área de tecnologia da informação, hoje eu consigo olhar para a minha história e me sentir orgulhosa. 


Estou em um momento de clareza, eu sei exatamente o que eu quero pra mim: conquistar um emprego para atuar em gestão de projetos e usar parte do meu tempo compartilhando minhas experiências para ajudar outras pessoas. Também quero continuar estudando, fazer trabalho voluntário e, quem sabe até fazer um intercâmbio para aprimorar o inglês! Me sinto forte e tenho muitos sonhos! Já estou ansiosa para o próximo emprego e capítulo da minha história!"


Em entrevista para Lígia Scalise.

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