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Eu só quero é ser feliz: um guia de proteção contra o assédio para as mulheres (e mães!) no Carnaval

Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente… em todo e qualquer lugar!


Começamos este post nos embalos de Cidinho e Doca, direto dos anos 2000, para trazer um assunto que persiste, infelizmente, tanto quanto o sucesso desse refrão: o assédio no Carnaval. Mas precisamos fazer um ajuste na letra: queremos andar tranquilamente em qualquer lugar, inclusive no meio da multidão, na frente do trio, com roupas curtas ou com nossos filhos no bloco.



Entre o glitter (eterno) e a hipervigilância

É consenso entre quase todas nós: o Carnaval é sinônimo de festa, diversão e aquela energia que só a gente tem. Mas, para nós, mulheres, essa festa nunca é cem por cento descompromissada. Enquanto deveríamos nos preocupar apenas em escolher o look da vez, estamos ativando um radar de segurança que nunca desliga: “Será que essa roupa é demais? Esse bloquinho é seguro? Como eu volto para casa?”.


Os números não mentem: um estudo recente realizado pelos institutos Locomotiva e QuestionPro mostrou que sete em cada 10 mulheres brasileiras têm medo de sofrer assédio no Carnaval. Isso significa que a maioria de nós já sai de casa com o alerta ligado. O que deveria ser um momento de relaxamento e liberdade acaba se tornando um exercício exaustivo de hipervigilância. Nós observamos os olhares, calculamos as distâncias e avaliamos cada aproximação, muitas vezes sem nem perceber. O assédio nos rouba a segurança e a paz de estarmos inteiras na folia.


Medo do presente ou memória do passado?

Olhar para as estatísticas dos últimos anos é como sentir um déjà vu. A mesma pesquisa revela que 47% das brasileiras afirmam já ter sido vítimas de assédio em carnavais passados. É um cenário tão evidente que 86% das pessoas reconhecem que o assédio continua sendo uma realidade presente na nossa festa.

Mesmo com esse cenário alarmante, muitas de nós ainda hesitam em denunciar por medo de não sermos acreditadas ou de ouvir que o desrespeito "faz parte da festa". Mas, vamos lá: o que faz parte da festa é o respeito e o consentimento, o resto é crime.


Como nos proteger?

Sabemos que a responsabilidade de não assediar é exclusiva do agressor. O erro nunca será da sua roupa ou da sua liberdade de ser. Mas, enquanto o mundo ainda não aprendeu a nos respeitar, nós criamos nossas próprias formas de proteção. Dito isso, veja como fortalecer sua segurança e a das mulheres ao seu redor neste Carnaval:

  • Olhe para o lado: Se notar uma mulher em situação de desconforto, não ignore. Use a tática da distração: chegue perto, peça uma informação ou finja que a conhece: “Oi, amiga! Que bom que te achei!”. Isso quebra o ritmo do agressor sem necessariamente gerar um conflito direto. Mas lembre-se: se a situação escalar e você se sentir segura para isso, confronte e chame a atenção do entorno.

  • O "Não" pode ser seco: Exercite o "não" seco, sem justificativa e sem desculpa. Não aceite o toque indesejado nem a conversa forçada. Se a insistência continuar e você sentir que não consegue lidar sozinha, busque imediatamente o olhar de outra mulher, peça ajuda.

  • De olho no seu copo: Nunca aceite bebidas, gelo ou água de estranhos. Se você perdeu seu copo de vista por um segundo que seja, não beba mais. Prefira garrafas e mantenha-as fechadas!

  • Mande a localização: Antes de sair, compartilhe sua localização em tempo real com uma pessoa de confiança. Se você mudar de trajeto ou decidir ir embora, avise.

  • Denuncie: Ao chegar no bloco, identifique onde estão os postos policiais ou as tendas de acolhimento. Salve o 180 e o 190 nos favoritos. Se sofrer ou presenciar assédio, denuncie.


Mulheres mães, acharam que não íamos falar de vocês hoje, né?

Para muitas mães, o Carnaval representa uma rara oportunidade de reconectar-se com sua individualidade, extravasar e desfrutar de momentos de lazer. No entanto, a experiência da maternidade adiciona camadas de vulnerabilidade e julgamento que precisam ser discutidas.


Antes mesmo de colocar o pé na rua, muitas mães que decidem curtir o Carnaval já enfrentam o famoso e repetido julgamento. “Ué, mas onde está seu filho?”. Essa pergunta aparece disfarçada de preocupação, mas a gente sabe que, no fundo, é uma forma de controle e constrangimento. É curioso, né? Essa indagação raramente é feita aos genitores. Ela carrega aquela mensagem invisível de que a mãe que busca diversão está, de alguma forma, falhando. Mas mulher, lembre-se: ✨ser mãe não anula o seu direito de se divertir, exercer sua individualidade e de ocupar a rua✨.


Além disso, para as mães que levam os filhos para a festa, existe a dupla vulnerabilidade: agressores que se aproveitam do momento em que a mãe está distraída cuidando da criança (limpando um suor, dando água ou ajeitando a fantasia) para invadir seu espaço. Nesses casos, siga as dicas dadas lá em cima e não hesite em pedir ajuda para a mulher mais próxima.


E falando em proteção, a segurança do seu filho também é a sua. Por isso:

  • Pulseira de identificação sempre: Com nome da criança, seu nome e seu telefone.

  • Foto do dia: Assim que chegar no bloco, tire uma foto do seu filho. Se acontecer qualquer desencontro, você tem a imagem exata da roupa e do rosto dele para mostrar aos seguranças ou no som do trio.

  • Ponto de encontro: Se a criança for maiorzinha, aponte um lugar fixo (como uma tenda de saúde ou posto policial) e combine.

  • Oriente: Ensine seu filho que, se ele se perder, deve procurar outra mãe ou um policial.


Dica de Ouro: Se puder, vá com outras mães ou amigos. Quando formamos nosso próprio "bloquinho", ficamos muito menos expostas.


Blocos para Mães e Famílias

Se você preferir, procure os blocos que já nasceram com foco no acolhimento. Eles costumam sair mais cedo, o som é mais tranquilo e acontece aquela rede de proteção natural.

  • 15 de Fevereiro (Vila Mariana, SP): Bloquinho dos pequenos Joaquins — das 09h às 14h.

  • 16 de Fevereiro: (Catete, RJ) Largo do Machadinho, Mas Não Largo do Suquinho – 09h.

  • 17 de Fevereiro (Perus, SP): Bloco Turminha do Bem — das 16h às 18h.


Celebre do seu jeito!

Seja qual for a sua escolha para os próximos dias, o importante é que ela seja sua. Se você vai para o Carnaval, prepare a sua melhor roupa e curte muito cada segundo! Se você for ficar em casa descansando, aproveite e reponha as energias como você merece. E para você, mulher trabalhadora, que está aproveitando a folia para garantir aquela renda extra: desejamos que seu trabalho seja respeitado e que você sinta que essa festa também te pertence, mesmo no meio da correria.


Funcionamento da CH no Carnaval

Para que nossa equipe também possa descansar e recarregar as energias, teremos uma pausa em nossos atendimentos presenciais e administrativos:

Não teremos expediente de segunda (16/02) a quarta-feira de cinzas (18/02). Nossas atividades voltam ao normal na quinta-feira (19), de forma remota.


E por aí, como vai ser a sua folia? Responde aqui na nossa enquete:


Você vai curtir o Carnaval este ano?

  • 0%SIM! Já estou até com o bloco escolhido.

  • 0%NÃO. Prefiro o sossego de casa e o meu descanso.

  • 0%VOU TRABALHAR. Por aqui não dá para parar.

  • 0%AINDA NÃO SEI. Dependendo do ânimo do dia.


Conta para nós nos comentários se tiver uma dica extra ou um bloquinho legal que você conhece. 🤎


Até logo! 





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