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Justiça reprodutiva e negociações globais marcam o último dia da Cruzando Histórias na CSW70

Debates sobre acesso a direitos na América Latina e compromissos internacionais encerram a participação da organização na conferência.


No último dia de participação na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70), a delegação da Cruzando Histórias — que integra a delegação oficial do Ministério das Mulheres — acompanhou debates que reforçam um dos pilares centrais da organização: a garantia de direitos, com foco na assistência social, na prevenção às violências de gênero e no fortalecimento de redes de proteção.


A programação foi marcada por discussões sobre justiça reprodutiva na América Latina e pelo acompanhamento das negociações entre os países em torno do documento final da conferência, que orienta compromissos globais em relação à igualdade de gênero.


Antes de continuar a leitura, escute a mensagem da Raquel sobre a experiência na CSW:



Justiça reprodutiva e acesso à informação


Entre os destaques do dia, a equipe participou do evento paralelo "Defensorias Públicas promovendo justiça reprodutiva na América Latina", que reuniu defensoras públicas, pesquisadoras e organizações da sociedade civil para discutir desafios e estratégias na garantia de direitos reprodutivos na região.


O painel contou com a participação de organizações com atuação histórica no tema, entre elas, o Coletivo Feminista que já teve iniciativas em parceria com a Cruzando Histórias, e trouxeram à tona um ponto central: a principal barreira para o acesso ao aborto legal no país ainda é a falta de informação.


cinco mulheres diversas apresentando o Painel "Public Defenders Advancing Reproductive Justice in Latin America".
Painel "Public Defenders Advancing Reproductive Justice in Latin America".

Embora previsto em lei desde 1940 em casos específicos, muitas meninas e mulheres desconhecem esse direito, o que impacta diretamente a busca por atendimento. Nesse cenário, as organizações da sociedade civil têm papel fundamental como vetores de informação e acolhimento, contribuindo para suprir lacunas deixadas pelo poder público.


A participação no painel dialoga diretamente com o pilar de garantia de direitos da Cruzando Histórias, que atua na promoção da assistência social, na prevenção às violências de gênero e no fortalecimento de redes de proteção.


A discussão também evidenciou desafios estruturais importantes, como a insuficiência de serviços de saúde preparados para atender esses casos, o desconhecimento de profissionais sobre protocolos e a dificuldade de acesso em regiões mais afastadas, que obriga mulheres a se deslocarem entre cidades.


Outro ponto relevante é que, no Brasil, não é exigido o registro formal da violência para acesso ao aborto legal, o que deveria facilitar o atendimento, considerando o medo que muitas vítimas têm de denunciar. Ainda assim, o estigma, a desinformação e, muitas vezes, o julgamento moral acabam funcionando como barreiras concretas.


"Nós queremos muito avançar, mas com as dificuldades enfrentadas no último governo, ainda estamos tendo que nos alegrar em não retroceder", apontou Tatiana Bias.

Nesse contexto, a Defensoria Pública se destaca como uma instituição-chave na garantia de direitos, tanto na orientação das mulheres quanto na incidência para o cumprimento de políticas públicas. Iniciativas como o mapeamento de serviços de referência e a produção de materiais informativos apontam caminhos para ampliar o acesso e fortalecer a rede de proteção.


As falas das especialistas também reforçaram a importância de uma abordagem interseccional.


"Quando falamos de justiça reprodutiva, precisamos falar de raça. Sobre quais corpos estamos falando?", destacou Thaís Lima durante o painel.

A crítica ao papel do Estado como, muitas vezes, agente de violação, seja pela omissão ou por práticas atravessadas por fatores culturais e religiosos, também esteve presente.


Os dados apresentados evidenciam a urgência do tema: em 2023, cerca de 14 mil meninas menores de 14 anos deram à luz no Brasil. Pela legislação brasileira, essas gestações são presumidas como resultado de violência sexual, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e aos serviços de acolhimento.


"Cerca de 47 meninas (menores de idade) dão a luz por dia no Brasil", comenta Ivete Boulos durante fala na CSW70.

Países apresentam avanços e desafios em negociações globais


Além dos eventos paralelos, a delegação da Cruzando Histórias acompanhou as discussões oficiais entre os países-membros da ONU, que fazem parte do processo de revisão dos compromissos assumidos desde a Conferência Mundial sobre a Mulher e da agenda "Mulheres 2000: igualdade de gênero, desenvolvimento e paz para o século XXI".


Durante as sessões, representantes de diferentes países apresentaram avanços, desafios e prioridades na implementação de políticas voltadas à igualdade de gênero, conectando suas experiências ao tema central desta edição.


A frase "não há paz sem as mulheres" sintetizou o tom das discussões, reforçando a centralidade da participação feminina na construção de sociedades mais justas e igualitárias.

A situação das mulheres no Afeganistão, mencionada por diferentes delegações, evidenciou um dos contextos mais críticos da atualidade e a importância da mobilização internacional.


Encerramento reforça caminhos para ampliar a garantia de direitos


O último dia da CSW70 consolidou aprendizados importantes para a Cruzando Histórias, especialmente no campo da garantia de direitos.


foto da delegação da cruzando histórias
Raquel Tetti, Bia Diniz e Marina Silveira, representantes da Cruzando Histórias.

Ao longo da conferência, a organização acompanhou debates que vão da inclusão digital às políticas de cuidado, do acesso à justiça ao trabalho digno e, neste último dia, à justiça reprodutiva, temas que, em comum, evidenciam que a garantia de direitos ainda é um desafio estrutural.


As discussões reforçam que assegurar acesso à informação, fortalecer redes de proteção e ampliar a atuação conjunta entre poder público e sociedade civil são passos essenciais para prevenir violências e promover autonomia.


Os aprendizados também apontam caminhos concretos para ampliar o impacto da organização no Brasil, especialmente no fortalecimento de redes de proteção e no uso da informação como ferramenta de garantia de direitos.


Além disso, a participação em espaços estratégicos de debate internacional ampliam o repertório da Cruzando Histórias e fortalecem sua atuação no país, conectando discussões globais com ações concretas no território.


"Mais do que presença, a participação na CSW representa um compromisso contínuo: transformar escuta em ação e garantir que essas discussões se traduzam em mudanças reais na vida das mulheres", conclui Bia Diniz, CEO e fundadora da Cruzando Histórias.

Leia os resumos anteriores:




Na última semana de março teremos um evento gratuito com palestras sobre comunicação assertiva, mentoria com grandes empresas, orientação individual de carreira e, claro, conexão com outras mulheres para gerar fortalecimento profissional.





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