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Peita e Cruzando Histórias lançam frase com parte do lucro para projeto

“Crescemos cruzando nossas histórias.” sela a parceria da marca-protesto com organização social especializada em empregabilidade feminina
Bia Diniz com a Camiseta: crescemos cruzando nossas histórias
Bia Diniz com a camiseta: crescemos cruzando nossas histórias

Se tem algo que nós da Peita nos orgulhamos é das parcerias que firmamos em nossos mais de cinco anos de afronta. Acreditamos que é juntas que tecemos as tramas do tecido social e foi numa encruzilhada do tear da vida que encontramos a Cruzando Histórias, uma organização sem fins lucrativos que atua há mais de cinco anos pela inclusão de mulheres no mercado de trabalho. Crescemos cruzando nossas histórias.” é um posicionamento, é um grito ao mundo, é uma proposta de debate sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho e a feminização da pobreza. Essa não é apenas uma frase, é também um agradecimento a todas as pessoas que encontramos em nossa caminhada e que de alguma forma nos tocam, nos ensinam, nos ouvem, nos inspiram, nos emocionam, nos transformam. E alguém permanece ilesa e igual ao dividir a estrada com alguém? Ao adquirir sua puta peita “Crescemos cruzando nossas histórias.” você está automaticamente ajudando a Casa Cruzando Histórias, um espaço de inclusão digital, cuidado e desenvolvimento para mulheres sem trabalho e renda, no Centro de São Paulo, que recebe parte do lucro das vendas. Quer saber mais sobre o projeto? Se liga na entrevista que fizemos com a diretora executiva e fundadora do CH, Bia Diniz. Peita - Como e quando surgiu a ideia de criar a Cruzando Histórias? Bia Diniz - "Tem 7 meses que estou desempregada. Pago aluguel, tenho 3 filhos, quatro meses atrasado. Sendo despejada. Eu tenho R$2 para tirar xerox, e tenho R$0,20 em casa. E é assim, um ajuda daqui e outro ajuda dali. Quando eu tenho dinheiro para procurar emprego, eu procuro, quando não tem, eu fico em casa." Há 5 anos, Sueli me fez levantar do sofá enquanto eu assistia o Jornal Nacional e transformou a minha vida. Eu era uma analista de RH desmotivada e infeliz em seu emprego público, mas eu também era uma mulher, uma mãe em busca de novos desafios. Eu queria me sentir viva, e o choro da Sueli me fez sentir. Eu passei a noite do dia 31 virando as redes sociais atrás desse rosto, e no dia seguinte perturbei as telefonistas da Globo querendo encontrá-la. Não encontrei. Então fui até a rua onde foi gravada a matéria e entrei em todas as agências de emprego, em busca de uma pista. Assim nasceu o desemprego em mim. Em três dias comecei a Cruzando Histórias, e não mais parei. Depois de planejado, quais foram os primeiros passos para colocar a Cruzando Histórias para funcionar? A Cruzando Histórias começou a acontecer antes de se tornar uma ONG, quando fui às ruas com a mochila nas costas, e uma lousa escrita à giz “Está sem trabalho?” procurando outras mulheres e mães em desemprego, com o desejo de tirar suas histórias da invisibilidade. No dia 3 de fevereiro de 2017, nasceu a Cruzando Histórias inicialmente nas redes sociais. As histórias passaram a viralizar, e fui recebendo ofertas de ajuda, divulgação de vagas, pessoas querendo voluntariar, doar. Em três meses, 45 pessoas tinham se recolocado no mercado de trabalho, com o apoio da Cruzando. Escutando as histórias, fui compreendendo o que poderia ser feito, e assim iniciei com uma voluntária a Oficina de Currículo, a primeira ação concreta da CH. Eu também me vi em transição de carreira, deixando o RH de uma empresa pública para me tornar empreendedora social. Então o primeiro ano foi de muito estudo e vivências. Em 2018 consegui apoio jurídico para formalizar a Cruzando Histórias, e assim nos tornamos uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Quais serviços a Cruzando Histórias oferece? Para mulheres em desemprego, a Cruzando Histórias oferece cuidado, desenvolvimento e inclusão, através de cursos, oficinas, palestras, mentorias, psicoterapia breve, curadoria e divulgação de vagas e oportunidades. Tudo realizado a partir de parcerias com empresas. Dos principais programas: a CH oferece jornada da empregabilidade com o Impulsione Sua Carreira que prepara a mulher para processos seletivos e o acolhimento psicológico e cuidado com a saúde mental, em projetos como o EscutAção – que possui metodologia própria. Na Casa CH, sede da Cruzando Histórias no Centro de São Paulo, há para as mulheres um espaço de inclusão digital e aprendizado, através de acesso a computadores, internet e apoio assistido. A Cruzando Histórias trabalha também o público corporativo, através de projetos de voluntariado, palestras e consultorias nas temáticas de equidade de gênero, comunicação, motivação, combate ao assédio, entre outros que compõem a pauta de gênero, em Diversidade & Inclusão. Quantas mulheres já passaram pelo projeto? Qual é a faixa etária, cor/raça, estado civil e quantos filhos em média elas têm? Cerca de 8 mil mulheres já se beneficiaram diretamente dos projetos e ações da Cruzando Histórias. O perfil das mulheres atendidas: média de 36 anos de idade; 92% estão sem trabalho e renda; 51% se autodeclaram pretas e pardas; 65% são do estado de São Paulo; 73% nas classes D e E; 52% são mães; 72% com escolaridade entre ensino superior e pós-graduação; 49,1% estão solteiras. Além da capacitação e acolhimento de mulheres, a CH também realiza formação dentro das empresas? Como isso é feito? O voluntariado corporativo é visto como chave de transformação social, pois mobiliza o público interno das empresas em prol da causa das mulheres. É o encontro de quem está fora do mercado com quem está dentro. São ofertados treinamentos na metodologia da Cruzando Histórias, que é composta por comunicação-não-violenta, escuta empática e acolhimento e orientação a mulher vítima de violência. Uma vez aptos, os voluntários oferecem mentorias individuais ou coletivas, nas temáticas de carreira e projeto de vida. A Cruzando Histórias também propõe treinamentos, palestras e consultorias que além de possibilitar o desenvolvimento de competências, mobilizar pessoas para a causa da empregabilidade e inclusão feminina no mercado de trabalho. Nós sabemos que mulheres cis brancas chegam a ganhar 25% a menos que homens cis brancos e quando falamos de mulheres negras essa diferença pode chegar a 42%. Ano passado saiu uma pesquisa da Insper ainda mais alarmante onde aponta a diferença salarial de até 159% entre homens brancos e mulheres negras. Somos minorias em cargos de liderança mesmo fazendo parte da maior parcela da população. Como é o trabalho de inserir mulheres no mercado de trabalho e não corroborar para a exploração do trabalho feminino? Como vocês garantem que elas não estejam assumindo cargos por menos? Como fazem para garantir os direitos trabalhistas dessas mulheres que estão sendo inseridas no mercado de trabalho? Nós trabalhamos com a mulher o autoconhecimento e auto responsabilidade como pilares para seu empoderamento. Uma vez consciente dos seus valores e objetivos pessoais e profissionais, essa mulher é orientada a buscar e encontrar oportunidades coerentes às suas expectativas, direitos e necessidades.

Do outro lado, com parceiros, a Cruzando Histórias mantém um compromisso ético e social, em fazer negócios com empresas que estejam alinhadas à causa, abertas ao diálogo e mudanças para que promovam um ambiente saudável, seguro e próspero para as mulheres que incluem.

Infelizmente não há garantias, mas um trato social de confiança e responsabilidade mútua. Estamos vigilantes aos movimentos e sempre abertas a escutar, aprender e evoluir com nossas assistidas e parceiros.

O problema social é gigantesco, e entendemos que para avanços é necessário compartilhar conhecimentos, fortalecer as pautas que envolvem gênero, investimentos privados e políticas públicas. Nosso posicionamento é de questionar, propor o diálogo, empoderar as mulheres e facilitar a conexão entre os atores. Como as mulheres podem se candidatar para serem acolhidas pelo projeto? Existe algum critério de seleção ou quantidade de pessoas por períodos? Nós abrimos inscrições por projeto, então é importante que a pessoa interessada acompanhe as nossas redes sociais e site para saber quando as vagas estão disponíveis. O número de vagas também varia por projeto. São priorizadas na seleção mulheres de acordo com os seguintes critérios: renda, raça, orientação sexual e maternidade. Presencial: Na nossa sede, a Casa CH (Rua Barão de Itapetininga, 255, 6º andar, sala 605 - República, São Paulo - SP), as mulheres têm acesso a internet gratuita, computadores, apoio para montar currículo e oficinas gratuitas. Atendimento aberto ao público de segunda a quarta das 10h às 13h. Agenda de eventos. Virtual: Temos um curso online preparatório para processos seletivos, gratuito e gravado que pode ser feito a qualquer momento. Inscrições aqui. As mulheres interessadas também podem entrar nos nossos grupos de WhatsApp e assinar a nossa newsletter. Divulgamos vagas de emprego, oportunidades, cursos e eventos gratuitos semanalmente pelo WhatsApp e quinzenalmente por e-mail. Links disponíveis no rodapé do site. Quando e onde serão as próximas ações? Temos eventos gratuitos voltados para mulheres em busca de recolocação toda semana na Casa CH. Conferir agenda: Próximos eventos: Conversa sobre direitos trabalhistas; Formação para trabalhar em eventos com a Sympla; Benefícios sociais para pessoas com baixa ou nenhuma renda e Capacitação ELA PODE - Liderança, Vendas e Relacionamento com o dinheiro. O próximo programa Impulsione sua Carreira será em parceria com a Ambev para mulheres do Rio de Janeiro. Interessadas podem se inscrever aqui.:

Como uma empresa pode apoiar o projeto?

O que a frase Crescemos cruzando nossas histórias significa pra você? Quando escrevi para a Peita buscando a parceria, eu sentia que elas teriam força e coragem para amplificar a voz da Cruzando Histórias. Eu tenho três peitas, e sinto que elas são um grito humano e coerente, por espaço, por respeito. Essa frase ganhou a superfície depois de uma longa conversa com a Peita sobre nossa história, valores e trabalho realizado. Foi bonito o processo de encontro, e não teve dúvidas. Quando a frase surgiu, veio única, a gente só parou e admirou. Era ela. Crescemos cruzando nossas histórias, é sobre o quanto nos tornamos mais fortes juntas. Nos acolhendo, nos apoiando, nos enaltecendo.

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Bia Diniz é mãe do Rafa. Apaixonada por gente e comunidades, enxerga no outro um caminho a seguir. Pelas ruas, com uma lousa escrito "Está sem trabalho? Fale comigo", conheceu pessoas, encontrou um novo sentido e iniciou o movimento Cruzando Histórias, hoje uma OSC que escuta, acolhe e apoia pessoas em situação de desemprego. O projeto escala a escuta empática e estamos transformando a trabalhabilidade de milhares de brasileiras.

 

Publicado originalmente em 13/06/2022 no Peita Blog.

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