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A Joice que aceitei que sou. 

 

Durante muitos anos esforcei-me para me enquadrar nas mais diversas caixas e moldes. Acreditando que a forma com que sou, meu corpo, como leio o mundo, as pessoas à minha volta, os meus desejos, sonhos e minha maneira de lidar com as situações apenas seriam valorizadas quando eu atingisse a capacidade de me encaixar nas caixas, nos moldes, nos quais acreditava serem as formas corretas para a felicidade, a valorização e o reconhecimento. Porém, a cada vez que me esticava toda, ou me encolhia inteira para "fazer do jeito correto", seguir o caminho "mais seguro", batalhar para conquistar algo que toda pessoa teria que ter para ser feliz, além da imensa dor e sofrimento enrustido de estar fora do lugar, a vida ia me mostrando que havia algo de muito errado, não estava funcionando, depois de tanto sacrifício... Bom, o problema poderia, então ser um só : EU. 

 

Bati nessa tecla por muito tempo, até que, depois de muito cansaço, eu concluí algo bem importante: Se alguém me dissesse para inserir um círculo dentro de um triângulo de forma que toda a área interna do segundo seja completamente preenchida pelo primeiro, sem sobrar nem faltar nada, eu claramente me recusaria, mas estava fazendo isso comigo sem perceber. Senti um quentinho no coração que até hoje não sei nomear. Definitivamente não sou uma mulher de caixas. Como eu não havia entendido isso antes? 

 

Seguindo esse tratado comigo mesma de auto-aceitação, revisitei minha trajetória profissional e pessoal. Desde muito pequena aprendi a ser resiliente, obediente, respeitosa responsável, comprometida, transparente e sensata, e que por isso eu lido muito bem com tomada de decisões, resolução de problemas, pontualidade e organização, planejamento liderança de equipes, trabalhar sob alta pressão, prazos curtos, problemas complexos , orçamento baixo e mediação de conflitos e negociações. Mas, depois de algumas doenças físicas adquiridas e um diagnóstico de Síndrome de Burnout por exaustão mental, me veio a pergunta: Para quê? 

 

Fui relembrando, aos poucos, que o que me move são meus valores, os sentimentos, aquela curiosidade de menina perguntadeira que nunca aceitou uma regra até que alguém lhe explicasse o porquê. Que eu detesto pompas, formalidades e burocracia em excesso e hierarquias e verdades inquestionáveis. Lembrei também o quão me machuca e me entristece fazer as coisas sempre iguais, sempre do mesmo jeito, e pior ainda aceitar coisas que consideram injustas, sem sentido, apenas pelo fato de que "elas são assim e pronto". E foi juntando meus sonhos de criança - jornalista para perguntar tudo que eu quisesse e entrevistar qualquer pessoa, cientista no mundo de Beackman, inventora que nem o Doutor Victor (tio do Nino lá no Castelo), detetive e arqueóloga para fazer parte da turma do Scooby ou do Fantasma Escritor, escritora, presidente do mundo, resolvedora de guerras, cantora, atriz para fazer filme com a Fernanda Montenegro, dona de biblioteca para nunca ter que devolver os livros que lia, e fazedora de bolos coloridos que nunca acabam - que entendi porque escolhi fazer graduação em Ciências Sociais, porque sempre atuei em grupos de teatro, participei de corais, fiz aulas de piano e canto e como eu acabei optando para trabalhar como produtora cultural, e depois disso, me especializei em gestão cultural e políticas públicas. 

 

A Joice que eu verdadeiramente sou, não quer ficar milionária, não quer ser dona de uma mega empresa, não quer ganhar prêmio, ser capa de revista ou ter milhões de seguidores, plantar uma árvore, publicar um livro e lançar candidatura a cargo no legislativo. A Joice ser humano e profissional, quer ter liberdade para assumir seu lado criativo, seu amor pela arte e pela cultura, usar seu senso crítico, a capacidade de perceber o que não é óbvio, realizar análise de conjuntura, planejar estratégias, para fazer o que mais gosta: trabalhar com e para pessoas. Busco usar meus conhecimentos, minhas experiências e habilidades para entender analisar e construir novas realidades, obras, projetos e amanhãs. 

 

Um sábio javanês, aprendeu com um monge tibetano, que ouviu de um xamã Lakota, que, uma vez que nos valemos de muita coragem, ou seja, agindo de acordo com o nosso coração, nos permitimos explodir as caixas que nos aprisionam, andamos um tempo confusos à deriva, mas só depois disso podemos encontrar o caminho de completude e realização verdadeiras