Cruzando Histórias participa de talks sobre prevenção da violência e combate ao assédio na sede do Grupo L'Oréal
- Gabriella Zavarizzi

- 28 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Iniciativas globais reforçam o papel da informação e da educação na prevenção da violência contra mulheres.
No último 27 de março, a Cruzando Histórias esteve presente na sede do Grupo L’Oréal no Brasil, no Rio de Janeiro, com especialistas, convidadas e vozes atuantes para discutir caminhos de prevenção à violência, desde os primeiros sinais em relações íntimas até o enfrentamento do assédio em espaços públicos.
Representando a nossa organização, a fundadora Bia Diniz participou de dois momentos centrais do encontro: um talk sobre o programa Abuso Não é Amor, da YSL Beauty Brasil, e outro sobre o StandUp, iniciativa global da L’Oréal Paris voltada ao combate ao assédio.
Quando o abuso não parece abuso
Durante o talk sobre o programa Abuso Não é Amor, o foco esteve em um ponto essencial: a dificuldade de reconhecer os primeiros sinais de um relacionamento abusivo.
O debate contou também com a participação de Cândida Andrade, Joyce Trindade, Patrícia Ramos e Mariana Goldfarb, que trouxeram diferentes perspectivas sobre o tema: da comunicação à política pública, passando por vivências e impacto social.
Bia Diniz destacou que o abuso raramente começa de forma explícita. Ele se constrói aos poucos, em comportamentos que podem ser confundidos com cuidado, como o ciúme excessivo, o controle e a manipulação.
Essa progressão silenciosa é um dos principais desafios no enfrentamento da violência por parceiro íntimo e reforça a importância da informação como ferramenta de prevenção.

Os sinais que não podem ser ignorados
Um dos destaques da conversa foi a apresentação dos 9 sinais de alerta de um relacionamento abusivo, trabalhados no programa. São eles:
1) Ignorar
2) Chantagear
3) Humilhar
4) Manipular
5) Demonstrar ciúmes excessivo
6) Controlar
7) Invadir a privacidade
8) Isolar
9) Intimidar
Reconhecer esses padrões ainda no início pode ser decisivo para interromper ciclos de violência antes que se agravem. O treinamento completo está disponível de forma gratuita aqui.
Do relacionamento ao espaço público: o combate ao assédio
Além da discussão sobre violência em relações íntimas, o encontro também ampliou o olhar para outro cenário urgente: o assédio em espaços públicos.
No talk sobre o programa StandUp, participaram do debate Paula Yong, Richarlyson e Samir Salvio, trazendo diferentes perspectivas, do esporte à estratégia e comportamento do consumidor, sobre como tornar ambientes coletivos mais seguros para mulheres.
Como destaque, essa iniciativa, conduzida pela L’Oréal Paris em parceria com a Cruzando Histórias, levou o treinamento de combate ao assédio para mais de 70 mil torcedores em jogos realizados no Estádio Nilton Santos e na Neo Química Arena, envolvendo torcidas do Botafogo e do Corinthians.
Mais do que uma campanha, a ação propõe uma mudança de comportamento: ensinar pessoas comuns a reconhecer e intervir com segurança em situações de assédio.

Os 5Ds: como agir de forma segura
No centro do programa StandUp está a metodologia dos 5Ds, ferramentas simples e acessíveis que orientam como agir diante de uma situação de assédio. Conheça:
1) Distrair: interromper a situação de forma indireta, por exemplo, fingindo conhecer a vítima;
2) Delegar: buscar ajuda de autoridades ou responsáveis pelo local;
3) Documentar: registrar a situação com segurança;
4) Dialogar: acolher a vítima e oferecer apoio;
5) Direcionar: se posicionar e nomear o comportamento inadequado.
A proposta é ampliar a sensação de segurança coletiva e incentivar a responsabilidade compartilhada.
Por que isso importa?
Os dados ajudam a dimensionar a urgência do tema:
86% das mulheres brasileiras já sofreram assédio em espaços públicos;
Estudos internacionais apontam aumento de até 38% na violência doméstica após grandes jogos;
Mesmo com maior presença feminina, estádios ainda são percebidos como ambientes pouco seguros.
Ambientes com grande circulação de pessoas, anonimato e baixa responsabilização tendem a aumentar os riscos, e é justamente nesses espaços que iniciativas educativas podem gerar impacto real.
Informação que transforma
Durante o encontro, a Cruzando Histórias reforçou seu compromisso com a prevenção da violência por meio da educação, apresentando tanto o treinamento gratuito Abuso Não é Amor, quanto as ações do StandUp.
Seja ao ajudar a identificar sinais sutis dentro de um relacionamento, seja ao ensinar como agir diante de uma situação de assédio, os dois programas partem do mesmo princípio: informação gera consciência, e consciência pode transformar realidades.
Muitas vezes, reconhecer um sinal ou saber como agir é o primeiro passo para interromper um ciclo de violência.




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