Sua empresa realmente reconhece e valoriza a trajetória de mulheres que são mães?
- Nathalia dos Santos

- há 3 dias
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Pela urgência de políticas de permanência que garantam equidade e condições de prosperar para todas as mulheres que maternam.
O Dia das Mães é uma das datas mais relevantes do calendário brasileiro, movimentando o comércio, pautando campanhas e ocupando espaço nas comunicações das empresas em todo o país. Internamente, costuma vir acompanhado de brindes, mensagens e homenagens às colaboradoras que são mães, um gesto que, à primeira vista, sinaliza um reconhecimento.
Mas esse reconhecimento se sustenta quando olhamos para a realidade? Em um mercado de trabalho que ainda impõe barreiras significativas à permanência de mulheres que maternam, e diante de estatísticas que pouco mudam ao longo dos anos, será que o que está sendo entregue garante a permanência dessas mulheres na equipe?
Esse movimento responde ao que as mulheres vêm pedindo há anos? Ou seguimos repetindo formatos já conhecidos, sem encarar os efeitos práticos disso na trajetória profissional de quem materna?
Esse presente esconde o quê?
Os números ajudam a tirar a discussão do campo simbólico. Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, 2 anos após o fim da licença-maternidade, quase 50% das mulheres já está fora do mercado de trabalho, em muitos casos, após demissões. O dado expõe a fragilidade das políticas corporativas e o peso que o maternar pode ter na trajetória profissional, transformando o que deveria ser um direito em um lugar de risco.
O impacto se intensifica quando olhamos para as quase 11 milhões de mães solo no país. Sem rede de apoio e diante de empresas que tratam a flexibilidade como concessão, essas mulheres lidam com jornadas duplas e com a sensação constante de que sua carreira é um eterno pedido de desculpas.
Mesmo com a repetição desse cenário ao longo dos anos, as consequências não recaem apenas sobre as mulheres, elas também atingem as próprias empresas. Ao dificultar a permanência de mães, o mercado perde profissionais qualificadas, reduz a diversidade e limita sua própria capacidade de inovação.
Dar voz às mães
Na Cruzando Histórias, a escuta faz parte do nosso cotidiano. As mulheres, a maioria delas mães, compartilham suas experiências em diferentes iniciativas, como no projeto EscutAção, que oferece Orientação de Carreira e Acolhimento Psicológico gratuito. Os relatos se repetem: mães que retornam da licença e encontram barreiras, profissionais que precisam justificar ausências como se fossem falhas, trajetórias interrompidas pela falta de políticas de apoio consistentes.
O que surge das conversas, no entanto, vai além da maternidade. São mulheres que continuam sendo profissionais que querem crescer, cidadãs que desejam participação plena na sociedade, pessoas com sonhos, projetos e necessidades próprias. A maternidade é parte da vida, mas não pode ser tratada como a única dimensão de suas identidades.
Quando o tema é o mercado de trabalho, os pedidos são claros. Não se trata de favores, mas de condições mínimas para que possam garantir seus direitos como qualquer pessoa:
Elas reivindicam estabilidade que vá além da proteção legal da licença, garantindo permanência sem demissões veladas ou estagnação de carreira;
Pedem flexibilidade, com políticas institucionais de jornada adaptada e possibilidade de trabalho remoto ou híbrido, reconhecendo a maternidade como parte da vida e não como concessão;
Solicitam uma rede de apoio estruturada, com auxílio-creche, espaços de amamentação e licença para acompanhar consultas médicas dos filhos, especialmente no caso de mães atípicas, que lidam com sobrecargas maiores;
Exigem o reconhecimento da maternidade como um recorte da diversidade, com inclusão efetiva em processos seletivos e promoções, combatendo a discriminação que ainda marca suas trajetórias;
Demandam oportunidades de crescimento, com acesso a treinamentos, planos de carreira e cargos de liderança, porque ser mãe não deve significar abrir mão do próprio desenvolvimento ou de ocupar posições de gestão.
Um chamado às empresas
Escutar essas mulheres é apenas o primeiro passo, o próximo é transformar escuta em ação. Empresas que desejam construir ambientes inclusivos precisam transformar essas demandas em políticas concretas: estabilidade que assegure continuidade da carreira, flexibilidade alinhada às diferentes realidades, redes de apoio que sustentem o dia a dia e, sobretudo, o reconhecimento da maternidade como parte da diversidade, com acesso a oportunidades de crescimento.
Na Cruzando Histórias, isso ganha forma em iniciativas voltadas ao acolhimento e ao desenvolvimento dessas mulheres em transição profissional. Oferecemos soluções por meio de voluntariado corporativo, palestras e consultorias sobre diversidade e enfrentamento ao assédio, além de projetos personalizados conectados a metas de responsabilidade social, gestão de pessoas e diversidade & inclusão.
E afinal, quem não gosta de presentes? Engajar sua empresa nesse compromisso, para oferecer às suas colaboradoras que maternam condições de prosperar, é o maior presente que podem receber neste Dia das Mães.




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