Saúde mental da mulher: encontro destaca acolhimento, autoconhecimento e caminhos acessíveis de cuidado
- Gabriella Zavarizzi

- 27 de abr.
- 3 min de leitura
Palestra promovida pela Cruzando Histórias reuniu mulheres para discutir emoções, sobrecarga e acesso à saúde mental
Em um cenário marcado por sobrecarga, insegurança financeira e múltiplas responsabilidades, cuidar da saúde mental tem se tornado uma necessidade urgente, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Com esse olhar, a Cruzando Histórias promoveu um encontro online voltado à saúde mental da mulher, reunindo participantes de diferentes contextos para uma conversa sobre acolhimento, autoconhecimento e caminhos possíveis de cuidado emocional.
Conduzida pela psicóloga Jéssica Sano, a palestra trouxe reflexões práticas sobre como reconhecer emoções, identificar sinais de alerta e entender que o cuidado começa antes mesmo de um diagnóstico.
Emoções sem rótulos: um convite ao autoconhecimento
Abrindo o encontro, a especialista propôs um exercício simples, mas essencial: olhar para as emoções sem julgamento.
A partir de referências do cotidiano, a palestra destacou que sentimentos como ansiedade, tristeza e medo fazem parte da experiência humana, e não devem ser vistos como falhas.
“Muitas vezes, não aprendemos a nomear o que sentimos. E quando não conseguimos identificar, isso pode aumentar o sofrimento”, explicou.
A proposta foi ampliar o olhar sobre as emoções, entendendo que elas são sinais importantes e não problemas a serem eliminados.
Sobrecarga feminina e sinais de alerta
Ao longo da conversa, um ponto comum entre as participantes foi a sobrecarga vivida no dia a dia: múltiplas responsabilidades, instabilidade financeira e desafios nas relações.
Nesse contexto, a Jéssica destacou alguns sinais de atenção para a saúde mental:
Cansaço constante e dificuldade para descansar;
Desânimo persistente;
Dificuldade de concentração;
Alterações no sono e no apetite;
Impacto na rotina e nas atividades diárias.
A orientação foi clara: nem todo sofrimento é um transtorno, mas todo sofrimento merece cuidado.

Autodiagnóstico e o risco dos rótulos
Outro tema que gerou identificação foi o hábito de buscar respostas na internet, seja por meio de pesquisas ou ferramentas digitais, como as inteligências artificiais.
Embora esses recursos possam ajudar a levantar hipóteses, o encontro trouxe um alerta importante sobre o autodiagnóstico. O risco, segundo a psicóloga, está em se rotular sem uma avaliação adequada, o que pode gerar ainda mais ansiedade e confusão.
“O mais importante não é o diagnóstico em si, mas entender o que você está sentindo e buscar o cuidado adequado”, reforçou.
Caminhos possíveis para o cuidado em saúde mental
Um dos pontos centrais do encontro foi mostrar que o cuidado com a saúde mental pode, e deve, ser acessível.
Foram apresentados diferentes caminhos para buscar apoio psicológico, incluindo:
Atendimento pelo SUS;
CAPS (Centros de Atenção Psicossocial);
Clínicas-escola de universidades;
Projetos sociais e organizações da sociedade civil;
Grupos de apoio e rodas de conversa.
A própria Cruzando Histórias oferece acolhimento psicológico gratuito, com atendimentos pontuais voltados ao momento presente da mulher em situação de desemprego.

Entre o cuidado profissional e o cotidiano
Além dos serviços especializados, a palestra também destacou a importância de práticas simples no dia a dia como forma de regulação emocional.
Entre elas:
Caminhar ao ar livre;
Manter contato com a natureza;
Desenvolver atividades manuais;
Escrever;
Participar de grupos e comunidades;
Estar com pessoas de confiança;
Permitir-se descansar sem culpa.
A proposta não é substituir a terapia, mas criar estratégias possíveis enquanto o acesso ao atendimento não acontece.
Um encontro que reforça o cuidado integral
Mais do que um conteúdo informativo, o encontro se consolidou como um espaço de escuta, troca e acolhimento, pilares que fazem parte da atuação da Cruzando Histórias.
Ao integrar saúde mental e empregabilidade, a iniciativa reforça que o desenvolvimento profissional também passa pelo equilíbrio emocional.
Em um contexto em que muitas mulheres enfrentam desafios de forma solitária, criar espaços de diálogo e apoio coletivo é um passo fundamental para fortalecer trajetórias e ampliar possibilidades.
Cuidar de si também é um caminho possível
O principal recado do encontro foi direto: não é preciso esperar um diagnóstico ou um momento extremo para começar a se cuidar.
Reconhecer o próprio sofrimento, buscar apoio e construir pequenas estratégias no dia a dia já são passos importantes.
Cuidar da saúde mental não começa quando é possível pagar, começa quando se reconhece que precisa de cuidado.





Muito carinho e cuidado envolvido nessa palestra, além de informações valiosas! ❤️🩹