Terceiro dia da Cruzando Histórias na CSW70 debate acesso à justiça e estratégias globais para igualdade de gênero
- Gabriella Zavarizzi

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Encontros discutiram financiamento, comunicação e cooperação internacional para avançar na proteção e nos direitos das mulheres.
A Cruzando Histórias participou do seu terceiro dia de atividades na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, em Nova Iorque, acompanhando debates que reuniram representantes de governos, especialistas e organizações da sociedade civil para discutir caminhos capazes de impulsionar a agenda global de igualdade de gênero.
Durante a programação realizada no escritório da ONU Mulheres, as discussões destacaram que avanços na promoção de direitos das mulheres dependem cada vez mais da construção de alianças amplas entre governos, sociedade civil, setor privado e diferentes atores sociais.

Nesse cenário, foi reforçada a importância de ampliar fontes de financiamento para iniciativas voltadas à igualdade de gênero, reconhecendo que um conjunto de ações, públicas e privadas, pode contribuir de forma significativa para transformar a realidade das mulheres.
Diante desse contexto, especialistas ressaltaram que iniciativas apoiadas por diferentes formas de financiamento têm potencial para gerar impacto concreto na promoção de direitos, demonstrando que a construção de soluções para temas de gênero passa pela articulação entre diferentes setores da sociedade.
Outro aspecto recorrente nos debates foi a necessidade de investir em comunicação estratégica. Muitas organizações que atuam diretamente com políticas de gênero e direitos das mulheres nem sempre contam com equipes especializadas em comunicação, o que pode dificultar a disseminação de informações e o alcance das iniciativas. Por isso, foi destacada a importância de fortalecer competências em comunicação, tecnologia e produção de conteúdo, ampliando a capacidade de mobilização e engajamento em torno dessas pautas.
As discussões também chamaram atenção para a necessidade de reduzir os impactos da polarização nos debates públicos. Segundo participantes, disputas ideológicas muitas vezes acabam desviando o foco de questões estruturais que afetam diretamente a vida das mulheres, dificultando o avanço de agendas importantes relacionadas à igualdade de gênero.
Ao mesmo tempo, especialistas apontaram que promover modelos de masculinidade mais saudáveis e positivos é parte fundamental das estratégias para avançar nessa agenda. O fortalecimento de iniciativas voltadas ao engajamento dos homens tem sido considerado um caminho importante para transformar relações sociais e ampliar a construção de ambientes mais seguros e igualitários.
Parte da programação também abordou os desafios relacionados ao acesso à justiça para mulheres, jovens e meninas na América Latina, a partir de uma perspectiva intercultural e interseccional. As discussões evidenciaram que muitos sistemas judiciais ainda foram estruturados considerando a realidade de grupos sociais mais privilegiados, o que cria barreiras adicionais para mulheres indígenas, negras, periféricas e moradoras de áreas rurais.
Entre os obstáculos identificados estão barreiras linguísticas enfrentadas por mulheres indígenas, discriminação racial, distâncias geográficas e limitações de infraestrutura em regiões afastadas. A falta de acesso à educação e à informação também foi mencionada como um fator que amplia a vulnerabilidade dessas mulheres e dificulta o reconhecimento e a reivindicação de seus direitos.
Apesar da existência de normas internacionais voltadas à garantia do acesso à justiça para mulheres, especialistas apontaram que muitos países ainda enfrentam desafios para implementar plenamente essas diretrizes. Nesse sentido, foi ressaltada a importância de fortalecer a cooperação entre países da América Latina e da América Central para identificar e superar obstáculos comuns.
Durante os encontros também foram mencionadas iniciativas brasileiras voltadas ao enfrentamento da violência contra mulheres, como o canal de atendimento 180 e as Patrulhas Maria da Penha, além dos debates sobre a necessidade de avançar na regulamentação de legislações voltadas ao enfrentamento da violência digital.
Representantes do governo brasileiro presentes nas discussões também reforçaram o compromisso com o fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres, incluindo o avanço das políticas de cuidado, a proteção contra diferentes formas de violência e a garantia de direitos.

"Precisamos evitar retrocesso não só no brasil, mas no mundo inteiro.", afirmou a secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, durante reunião com a delegação brasileira presente na CSW70.
A participação da Cruzando Histórias na CSW70 segue acompanhando debates e iniciativas internacionais que dialogam diretamente com temas centrais para a promoção da igualdade de gênero, da autonomia econômica das mulheres e da ampliação de oportunidades no mercado de trabalho.
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