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Mês da mulher: empregabilidade feminina também é enfrentamento à violência

Atualizado: há 10 horas

Empresas precisam ir além das ações simbólicas em março e assumir um posicionamento estrutural durante todo o ano.


Card de impacto com ilustração de duas mulheres com os punhos cerrados pra cima do lado esquerdo da imagem. No lado direito, a frase 'Mês da mulher empregabilidade também é enfrentamento à violência'. Logotipo da Cruzando Histórias no canto superior.

Segunda-feira, 2 de março. Começa mais um Mês da Mulher.


Mais um mês em que muita gente questiona por que ainda precisamos de uma data dedicada a nós. Mais um mês em que organizações receberão suas colaboradoras com o mesmo brinde clichê: o bombom, a rosa vermelha comprada em atacado, a lembrancinha simbólica. Entra ano, sai ano, a “criatividade” segue a mesma.


Mas será que dá para fazer diferente?


Eu acredito que sim.

A CRUZANDO HISTÓRIAS ACREDITA QUE SIM.


Nosso trabalho não parte de achismos, ele parte de histórias reais e também de dados:


Em 2025, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher revelou que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar. Em 71% dos casos, a agressão aconteceu na presença de terceiros. Quase 60% relataram episódios recentes (menos de seis meses) e 10% sofreram violência digital. 64% das vítimas de feminicídio são mulheres negras.


No ambiente de trabalho, os números também crescem. O Tribunal Superior do Trabalho recebeu 142.814 novos processos por assédio moral — aumento de 22,3% em relação a 2024. O Ministério Público do Trabalho registrou 18.207 denúncias, uma alta de 26,9%.


Mas há um dado silencioso que nem sempre aparece nas manchetes: a exclusão econômica.


Quando uma mulher vive em um contexto de violência, muitas vezes ela também perde autonomia financeira. Ela se afasta ou é afastada do trabalho, interrompe os estudos, e tem sua trajetória profissional atravessada pelo medo e pela sobrevivência.


Então surge o principal questionamento:


Qual empresa está preparada para acolher essa mulher?

Qual organização está comprometida com gerar oportunidade real?

Qual liderança entende que empregabilidade também é enfrentamento à violência?


Algumas dessas mulheres nunca tiveram a chance de trabalhar. Outras são qualificadas, têm experiência, têm bagagem, mas foram atravessadas por histórias de violência que interromperam suas trajetórias. E o mercado nem sempre está disposto a enxergar além da lacuna que foi feita no currículo.


Injusto, né?


Por isso, a reflexão que trazemos neste mês é clara: chegou a hora de sairmos das ações simbólicas para as ações estruturais!


Não basta distribuir brindes e homenagens no dia 8 de março, é preciso assumir compromisso com ambientes corporativos seguros, cultura e políticas consistentes, além de oportunidades reais par mulheres que precisam recomeçar.


O 8M não é uma data decorativa, é um chamado ao posicionamento.

E posicionamento não se faz apenas no mês de março.


Empresas que tratam essa pauta com seriedade entendem que empregabilidade também é enfrentamento à violência, porque segurança, respeito e dignidade precisam fazer parte da cultura organizacional o ano inteiro.


Ao longo deste mês, vamos compartilhar reflexões e caminhos possíveis para fortalecer esse debate e transformar informação em ação.


Você vem com a gente?


Com amor,

Bia

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