A normalização das bets tem um alto custo para as mulheres
As apostas on-line deixaram de ocupar um espaço restrito ao entretenimento. Hoje, estão no celular, no esporte, na publicidade e no cotidiano, com acesso permanente e estímulos constantes para apostar.
Para a Cruzando Histórias, essa normalização é vista com preocupação.
A pesquisa Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias mostra que 54% das mulheres brasileiras já foram impactadas pelas apostas on-line, direta ou indiretamente. Entre as consequências aparecem perdas financeiras, conflitos familiares, endividamento, perda de confiança e desgaste emocional.
Esses impactos dialogam com uma realidade que conhecemos de perto.
Na pesquisa Mulheres que Movimentam Territórios, realizada no âmbito do programa Despertando a Empreendedora, parceria da Cruzando Histórias com o Empreende Aí, foram ouvidas 378 mulheres. Entre as participantes, 47% são as principais provedoras de suas casas. Das que declararam renda, 83% vivem com até dois salários mínimos e 61% afirmaram ter dívidas que limitam investimentos no próprio negócio ou em formação profissional.
É nesse contexto que a expansão das bets precisa ser analisada.
Quando uma mulher administra uma renda restrita, sustenta a família e busca ampliar sua autonomia financeira, a promessa de dinheiro rápido não pode ser tratada como uma escolha de consumo qualquer.
As consequências chegam ao orçamento doméstico, às relações familiares, ao trabalho e, principalmente, à saúde mental. Problemas relacionados às apostas podem estar associados a ansiedade, transtornos de humor, autolesão e risco de suicídio.
Por isso, a Cruzando Histórias se posiciona contra a normalização das bets e entende que esse debate deve ser tratado como uma questão de saúde, proteção social e autonomia econômica.
Não podemos falar em inclusão produtiva, geração de renda e fortalecimento financeiro das mulheres sem olhar também para aquilo que compromete essa autonomia.
Enfrentar os impactos das apostas on-line exige informação, prevenção, responsabilização e políticas capazes de proteger quem já vive sob maior vulnerabilidade econômica e social.
Para nós, esse também é um tema de cuidado e de defesa da autonomia das mulheres.
Seguimos juntos e juntas nesse enfrentamento.
Com carinho,
Bia Diniz
Temos um convite especial para você!
30 de setembro, das 13h30 às 16h30, presencial na Casa CH: “Arquivo de mim: quem sou eu por trás das tendências?”, com Jéssica Moreira Sano;
1º de outubro, das 9h às 12h, online pelo Microsoft Teams: "Conectadas, mas sozinhas: relações humanas na era digital", com Janara Kalline; “Quem controla quem? A disputa entre você e seus dispositivos”, com Glaucia Luiz; e “Desconectar para se reconectar”, com Heloisa Santana.
A inscrição é gratuita:
Mulheres maiores de 18 anos podem participar do encontro presencial, do online ou dos dois.





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